Pendurar as
chuteiras.
Morar na
praia. Ficar
de pernas
para o ar.
Esse cenário
de vida é a
meta de
muitos
trabalhadores
após uma
longa
jornada
dedicada ao
trabalho.
Mas para o
tão almejado
descanso não
se tornar um
pesadelo,
poupar é
cada vez
mais
necessário,
já que,
geralmente,
a
remuneração
não é
suficiente
para o
aposentado
realizar
seus planos,
uma vez que
o teto da
aposentadoria
no setor
privado,
hoje, é de
2.894 reais.
O advogado
Wladimir
Novaes
Martinez,
especialista
em
legislação
previdenciária,
enfatiza que
as pessoas
têm de se
conscientizar,
o quanto
antes, de
que precisam
privar-se de
uma parte
dos
rendimentos
para ter
futuro
tranqüilo,
pois a
cultura da
aposentadoria
por tempo de
contribuição
está
condenada ao
fracasso. E
muitos dos
aposentados
de hoje não
tiveram
opções ao
INSS para se
preparar
para o fim
da vida
profissional.
A boa
notícia é
que a
previdência
privada
começou a
ganhar força
há cerca de
10 anos e
tem atraído
profissionais
em busca da
sonhada
segurança
financeira.
Segundo
dados da
Federação
Nacional de
Previdência
Privada e
Vida (Fenaprevi),
o mercado de
previdência
complementar
aberta
encerrou o
primeiro
semestre
deste ano
com captação
de 12,4
bilhões de
reais, 26% a
mais que o
mesmo
período de
2006. Nos
seis
primeiros
meses de
2007, os
planos de
previdência
para menores
de idade
cresceram
80,67%. "O
sistema
complementar
cresceu,
pois os
governos
nacionais
abandonaram
a
previdência
pública;
sabem que
ela não lhes
gera
rendimentos
políticos,
partidários
nem
eleitorais -
só dor de
cabeça",
acredita
Martinez.
Mas onde as
empresas
entram nesse
contexto?
Simples.
José Floro
Barros,
sócio-diretor
da Floro
Gerenciamento
de Carreira,
explica que
quando a
companhia
desenvolve
programas de
preparação
para a
aposentadoria,
mostra-se
preocupada
com o futuro
de seus
colaboradores.
Isso gera
mais
produtividade,
aumenta a
satisfação e
o respeito
do
trabalhador
para com a
empresa em
que atua.
"Funcionários
que traçam
um plano de
vida e
carreira
conseguem
manter a
auto-estima
elevada no
ambiente
corporativo
e realizam o
trabalho com
mais
motivação e
foco",
completa.
A
vice-presidente
de eventos e
relações
institucionais
da
Associação
Brasileira
de Qualidade
de Vida
(ABQV),
Cecília
Cibella
Shibuya,
acredita que
oferecer
Programas de
Preparo para
a
Aposentadoria,
os chamados
PPAs, é de
suma
importância
para o bom
andamento
dos
negócios,
uma vez que
demonstra
respeito por
aqueles que
contribuíram
para o
crescimento
da
organização.
Segundo a
executiva,
as empresas
podem
implantá-los
por meio de
cursos,
oficinas e
workshops
que mostrem
ferramentas
para a
elaboração
de um novo
projeto de
vida. "O PPA
orienta o
colaborador
a
preparar-se
financeiramente
por meio de
uma
previdência
privada, a
rever
conceitos e
valores em
relação à
qualidade
dos
relacionamentos,
além de
estimular o
desenvolvimento
de novas
habilidades
que
permitam,
futuramente,
uma nova
fonte de
renda",
explica.
 |
|
Vendrami:
planejamento
para
continuar
as
viagens
ao
se
aposentar |
O
administrador
César
Vendrami, de
27 anos, é o
retrato da
nova geração
(que
planeja,
desde cedo,
o futuro), e
da
importância
da empresa
na
preparação
para a
aposentadoria.
Vendrami
começou a
pensar no
assunto há
dois anos
quando
ajudou a
implantar o
programa de
preparação
para a
carreira do
futuro na
companhia em
que
trabalha.
Desde 2005,
contribui
para um
plano de
previdência
privada e
realiza
aplicações
de renda
fixa e
fundos de
ações, além
de investir
cerca de 60%
do dinheiro
em educação.
Para ele,
não adianta
apenas
poupar em
recursos
financeiros
e não se
desenvolver
pessoal e
profissionalmente.
"Acredito
que o
equilíbrio
entre os
aspectos
financeiro,
social,
familiar,
intelectual
e cultural é
o que
proporciona
um futuro
bem
preparado",
destaca.
 |
Casos
concretos
mostram que
é possível
ter uma
pós-carreira
tranqüila,
desde que
planejada.
Vera Lucia
Galdi, de 53
anos, já se
aposentou e
tem hoje uma
vida
financeira
estável.
Viaja com
freqüência -
o que era
impossível
anos atrás,
já que o
trabalho
consumia
praticamente
todo o seu
tempo - e
realiza
atividades
manuais,
como
artesanato e
pintura.
Além disso,
voltou a
estudar
inglês, pois
pretende
atuar em
consultoria
ou comércio
exterior
(mas nada
que consuma
todo o seu
tempo).
Vera
acredita que
a
previdência
privada é
uma
segurança
para quem
pretende se
aposentar.
"No meu
caso, foi
determinante,
pois sem
esse
complemento
seria muito
difícil manter
um padrão
de vida
estável e
aproveitar o
tempo
livre", diz,
ressaltando
também que a
empresa em
que
trabalhava
foi
essencial
para o
início do
planejamento,
pois sempre
orientou os
colaboradores
sobre o
assunto.
Porém, o
planejamento
da
aposentadoria
engloba
outros
aspectos e
não se
limita
apenas à
parte
financeira
(trabalhar o
lado
psicológico
é tão ou
mais
importante
quanto).
Segundo
Floro,
muitas
pessoas
evitam falar
sobre o
assunto por
causa da
associação
com perdas -
de poder, de
status, de
prestígio -,
o que faz
com que
muitas não
se
programem.
"Um
planejamento
estruturado
significa
pensar a
longo prazo,
traçar metas
e
objetivos',
explica.
 |
|
Wladimir
Novaes:
aposentadoria
por
tempo
de
contribuição
está
condenada
ao
fracasso |
Para ele, a
aposentadoria
deve ser
encarada
como mais
uma etapa da
carreira
profissional,
na qual, com
a
experiência
adquirida
durante toda
a trajetória
corporativa,
podem-se
realizar
sonhos, que
não puderam
ser
concretizados
devido às
longas horas
de trabalho.
Cecília, da
ABQV,
concorda: "É
de suma
importância
o preparo
para a
aposentadoria
para que a
fase seja
vista como
um período
de
crescimento
e não de
traumas e
mágoas,
comum há
anos atrás,
devido à
falta de
preparo e ao
preconceito".
Ela
enfatiza,
ainda, que
atualmente
as pessoas
deixam de
trabalhar em
plena força
produtiva, o
que torna a
preparação
para esse
período,
que engloba
aspectos
financeiros,
de
previdência
e de
relacionamento,
essencial
para viver
com
qualidade e
usufruir a
vida sem
preocupações.
Vera Lucia,
que hoje vê
diversos
benefícios
na
aposentadoria,
conta que no
começo foi
complicado
imaginar sua
vida sem o
trabalho.
"Como tudo
na vida
passa, foi
difícil
pensar que
eu não seria
mais a
profissional
conciliadora
- entre os
clientes e o
banco em que
trabalhava.
Achei que
seria
esquecida.
Mas tive uma
grata
surpresa.
Depois de
deixar a
empresa fui
procurada
por muitos
clientes,
até por
aqueles de
trato mais
difícil, e
com alguns
mantenho
amizade até
hoje, nove
anos
depois."
Razões de
sobra
Por que
implantar
Programas de
Preparo para
a
Aposentadoria?
1 Minimiza o
impacto da
aposentadoria,
ou seja, a
ruptura com
a empresa;
2 Oferece
uma
perspectiva
positiva de
vida;
3 Aumenta a
satisfação e
a motivação
dos
funcionários;
4 Sensibiliza
os
colaboradores
sobre a
necessidade
de pensar na
"Carreira do
Futuro";
5 Estimula a
integração;
6 Fortalece
a
responsabilidade
social.